Amour amour: Cinta 1 — 0 Eu

Hoje já comecei a pensar no dia dos namorados. Uma vitória. Normalmente lembro—me dessas datas na véspera. E depois lá vou eu a correr “aos chineses” comprar uma t—shirt ou uns boxers ou meias (que NUNCA são demais). Sim, sou uma querida. Hoje estava eu toda orgulhosa por já estar a finalizar a minha encomenda online (super moderna aqui a menina) quando no FIM, sim, só no fim —depois de entrar no carrinho das compras, sair do carrinho, voltar ao carrinho, corrigir o carrinho e finalmente o pagamento ser aceite — é que me aparece uma tal de “notificação” que me elucidou carinhosamente que a minha encomenda chegava daqui a qualquer coisa como 14 a 21 dias. Assim. De chapa. Do tipo: si fudeu, né cara? E eu investiguei previamente. Mas nenhum daqueles milhares de links me esclareceu. Pois. Era… era importante (a data). Olha, azar! A prenda do dia dos namorados fica para o dia do pai ou quando eu algum dia precisar de pedir desculpa assim como quem nao quer a coisa. Chego lá, de trombas e atiro—lhe com a prenda como quem diz ” tou amuada, não tenho motivos e vê lá que sou uma querida que te comprei uma prenda e nem é natal nem nada, abraça—me rápido ou eu amuo mais 3 dias”. Pois, pode ser que dê “jeito”.
No meio de tudo isto, lembrei—me da nossa última saída romantica. Fora de casa, sem filhos.
Como prenda de anos ofereci—lhe (ofereci—”nos”) uma noite num hotel da—que—les…
Eu confesso que caprichei. Toda arranjadinha. Cabelo esticadinho. Roupaaa nooova. Toda pintadinha. Cheirosa. Porra! Tava quase sexy.
Lá fomos nós jantar fora. Comi que nem uma lontra. Logo ali a meio do jantar, pensei para com os meus botões “nao devia ter vestido estas cuecas—cinta—adelgaçante” mas… tranquilo no estilo.
Já no carro tive de confessar “mooor tou um bocado mal disposta, acho (eu tinha a certeza) que comi demais”, achei que ainda nao era o momento oportuno para revelar o porquê de eu estar tão elegante (e magra) depois de ter devorado um jantar que dava para no mínimo 2 ou 3 pessoas. Não exagerando.
Fomos sair. Beber um copo. Uma maravilha. Foi super divertido.

Mas eu já não estava mesmo a aguentar. Estava a morrer.

Mas divertidíssima. Estávamos in love. Era a noite dele. Estávamos felizes e contentes.

Antes de irmos para o quarto do tal hotel ainda tive a coragem de pedir uma tosta mista e uma coca cola. Foi a última gota. A ÚLTIMA. Juro por tudo o que é mais sagrado nesta vida. Eu fiquei muito mal. Mesmo. Cheguei àquele ponto em que já nem dar um punzinho eu podia.
Agarradinhos e abraçados lá fomos nós até ao hotel. Ai saiu: “não devia ter vestido esta cinta”. “Esta quê?” questionou ele. Eu acho que ai revirei os olhos e sinceramente, nem me lembro se da minha boca conseguiu sair mais alguma palavra.

Foram cerca de 200 metros. A mim pareceu—me que nunca lá ia conseguir chegar. Mas consegui.

Chegou o momento. Um quarto de hotel. Tantas da noite. Só nós dois (e a put@ da cueca—cinta—adelgalçante). E eu incapaz. De tudo.

EU ESTAVA A VER TUDO AZUL.

Eu sabia o que ia acontecer assim que a minha barriguita se libertasse. E assim foi. Casa de banho com ela.

Acho que dá para imaginar. Aquele silêncio no quarto. E eu que, por mais que me esforçasse não conseguia reduzir o volume dos puns. Agradeci a deus quando ele* ligou a televisão. E eu até faço cocó à frente dele e vice—versa, eu até gosto de me sentar no bidé ao lado dele enquanto ele próprio também faz cocó. Na boa. Sem preconceitos nem vergonhas nenhumas. Mas não era este tipo de cocó. Este é estritamente reservado.

E assim foi. A nossa noite. Acabámos por dormir no sofá. Ele. Porque eu ainda me levantei uma série de vezes.

Tudo por causa da cinta—cueca.

* ele, o marido, não deus.
Ele ficou chateado? Ficou. Porque eu não avisei que havia piscina e jacuzzi.

Quer dizer. Tanta merda para esconder a barriga (vestida) e ele ainda queria que eu tivesse levado na mala bikinis e calções. Claro que me “esqueci” desse pormenor.
É quando me lembro deste género de episódios que percebo o quanto é bom ter um marido assim. Que me ama. Sempre. Que me aceita, respeita, apoia e é meu amigo. Mesmo quando eu estou literalmente, na merda.
Entretanto enviei um email a questionar se existe a remota possibilidade de a encomenda chegar mais cedo. E parece que sim.
Lesson to learn: nunca usar cintas, mesmo que já não sejam as cintas do tempo das avós e até pareçam peças de lingerie requintadas, disfarçadas com rendinhas. Podem ser pretas ou vermelhas. Não interessa. É uma cinta. E não é para meninas.
Eu que pensava que já tinha passado por tantos “sofrimentos” na vida, que era uma mulher forte. Olha, não me aguentei à bomboca com a cinta.
Espero que me corra melhor esta próxima data especial. Espero que seja um dia/noite simples. Vá, podemos oferecer um recuerdo um ao outro (eu ofereço sempre qualquer coisita na ordem dos 20€ e fico sempre na expectativa de receber uma de pelo menos 100). Dar um beijinho e dizer “feliz dia dos namorados ehhh” e “agora deixa—me ir beber café”. “Amo—te”.